O governador do Maranhão, Carlos Brandão (MDB), reagiu nesta terça-feira (18) às acusações de que teria recebido valores ilícitos dentro do Palácio dos Leões, conforme matérias divulgadas em alguns veículos de imprensa de repercussão nacional. Em manifestação pública, ele classificou as alegações como falsas e afirmou nunca ter mantido qualquer relação com Gilbson Cutrim, condenado pelo assassinato do empresário João Bosco Sobrinho.
As acusações ganharam repercussão nacional após a divulgação de trechos de um depoimento prestado por Gilbson à Polícia Federal. Segundo o relato, ele teria transportado dinheiro para pessoas ligadas ao governador e realizado entregas dentro da sede do Executivo estadual. As declarações integram uma investigação relacionada ao chamado Caso Tech Office.
Brandão questionou a credibilidade do depoimento e destacou que Gilbson apresentou versões diferentes sobre os fatos ao longo das investigações.
“Não há sequer uma prova de todas essas inverdades que estão sendo ditas. Por isso, afirmo categoricamente que são mentirosas”, declarou o governador.
Governador nega encontro com autor do depoimento
Brandão afirmou nunca ter recebido Gilbson no Palácio dos Leões ou mantido contato com ele em qualquer outro local.
“Nunca tive relação com esse assassino confesso. Nunca o recebi no Palácio, nem em qualquer lugar”, disse.
O governador também contestou um detalhe citado no depoimento sobre a utilização da vaga número 6 do estacionamento do Palácio dos Leões. Segundo Brandão, o espaço está ocupado há aproximadamente seis anos por um gerador, o que, em sua avaliação, enfraquece a narrativa apresentada à Polícia Federal.
Ao rebater as acusações, o governador mencionou seus mais de 35 anos de atuação pública e afirmou não ter histórico de envolvimento em escândalos ou processos criminais.
Depoimento passou a integrar investigação federal
Gilbson Cutrim foi condenado a 13 anos de prisão pelo assassinato de João Bosco Sobrinho, ocorrido em agosto de 2022, no edifício Tech Office, em São Luís. A morte aconteceu durante uma reunião que, segundo as apurações atuais, estaria relacionada a uma disputa pela divisão de valores provenientes de uma suposta cobrança de propina.
Em um novo depoimento à Polícia Federal, Gilbson afirmou que teria atuado em negócios ilícitos ligados a integrantes da família Brandão. Ele também declarou ter levado dinheiro para o grupo do governador dentro do Palácio dos Leões. As alegações ainda estão sob investigação e não representam uma conclusão judicial sobre a responsabilidade dos citados. Carlos e Daniel Brandão negam as acusações.
A defesa do governador chama atenção para o fato de Gilbson ter modificado sua versão sobre o caso. Inicialmente, ele não teria atribuído a integrantes da família Brandão a participação descrita posteriormente à PF.
Defesa reclama de acesso incompleto ao processo
Carlos Brandão informou ainda que seus advogados não tiveram acesso à íntegra dos documentos que compõem a investigação. Para o governador, essa limitação prejudica o exercício pleno do direito de defesa.
“Até o momento, minha defesa segue sem acesso ao processo em sua totalidade”, afirmou.
O governador também questiona a competência do Supremo Tribunal Federal para supervisionar uma investigação criminal dirigida contra ele. A defesa sustenta que, por ocupar o cargo de governador, eventual apuração deveria tramitar no Superior Tribunal de Justiça.
Segundo os advogados, manifestações da Procuradoria-Geral da República já incluídas no processo também apontariam que a investigação contra Brandão não deve permanecer no STF.
Brandão pede suspensão do inquérito no STF
A defesa do governador ajuizou uma ação no Supremo para tentar suspender as diligências relacionadas ao Caso Tech Office. Os advogados também questionam a permanência do ministro Flávio Dino na supervisão da investigação.
O pedido sustenta que a abertura da apuração teria ocorrido sem provocação da Procuradoria-Geral da República, a partir de documentos apresentados em outro procedimento que já tramitava na Corte. A defesa aponta supostas violações ao princípio do juiz natural, ao devido processo legal e ao sistema acusatório.
Em caráter liminar, os advogados pedem a paralisação da investigação. Alternativamente, solicitam que o caso deixe o STF e seja encaminhado à PGR ou ao STJ. No julgamento definitivo, pretendem obter a anulação das decisões tomadas no âmbito do Supremo. O pedido foi apresentado após novos desdobramentos do inquérito.
Brandão encerrou sua manifestação afirmando estar preparado para responder às acusações e defender sua trajetória pessoal e política.
“Tenho plena convicção de que a verdade prevalecerá. E estou pronto para defender minha dignidade e minha trajetória”, declarou.





