Lucas Cavalcante Andrade foi condenado a 21 anos e nove meses de prisão pelo assassinato da ex-companheira Maria Francisca e pela tentativa de homicídio do namorado dela na época, identificado pelas iniciais F.O.C. O julgamento ocorreu na segunda-feira (17), na 2ª Vara Criminal de São José de Ribamar.
Os jurados acolheram a acusação e reconheceram a responsabilidade do réu pelos dois crimes, praticados em 28 de novembro de 2020, na região do Araçagi. A pena foi estabelecida pela juíza Ana Gabriela Costa Everton e deverá ser cumprida inicialmente em regime fechado, conforme informações do Tribunal de Justiça do Maranhão.
Perseguição começou após fim do relacionamento
De acordo com a denúncia do Ministério Público, Maria Francisca e o sobrevivente mantiveram um relacionamento por aproximadamente cinco anos. Durante um período em que os dois permaneceram separados, ela se envolveu com Lucas.
Após encerrar o novo relacionamento e reatar com o antigo companheiro, a mulher teria passado a ser perseguida e ameaçada pelo réu. A acusação também relatou episódios de agressão e extorsão, alguns deles envolvendo o uso de arma de fogo.
Diante da situação, Maria Francisca chegou a pedir medidas protetivas de urgência e outras providências de segurança à Justiça.
Vítimas foram perseguidas e atingidas por carro
Na data do crime, Maria Francisca e o namorado trafegavam em uma motocicleta pela região do Araçagi quando perceberam que estavam sendo seguidos por um automóvel conduzido por Lucas, segundo o Ministério Público.
Ainda conforme a denúncia, o réu aproximou-se em alta velocidade e realizou uma manobra brusca, atingindo a motocicleta e derrubando as vítimas no asfalto. Em seguida, teria lançado novamente o carro contra a moto, destruindo o veículo.
A acusação sustentou que Lucas também agrediu Maria Francisca quando ela já estava caída e sem condições de se defender. Depois, teria passado com o automóvel sobre a mulher e fugido do local.
As duas vítimas ficaram desacordadas e foram socorridas por pessoas que estavam nas proximidades. Maria Francisca não resistiu aos ferimentos. O namorado sobreviveu.
Ministério Público apontou sentimento de posse
No julgamento, o Ministério Público sustentou que o crime teve motivação fútil, relacionada ao sentimento de posse do réu em relação à ex-companheira e à inconformidade com a retomada do relacionamento anterior.
A acusação também apontou emprego de meio cruel, considerando as agressões praticadas contra a mulher já caída e impossibilitada de reagir.
Ao calcular a pena, a Justiça considerou que uma mesma ação resultou no homicídio consumado de Maria Francisca e na tentativa de homicídio do namorado dela. Por isso, foi aplicada a punição correspondente ao crime mais grave, com acréscimo devido à existência do segundo delito.





